"Ainda travo intensos diálogos sobre o tempo com minha avó.Com ela aprendi a usar os ossos da mão para lembrar os meses que possuem 31 dias, a saber que pelas letras do nome do mês descobrimos se é a estação de determinada fruta, a reconhecer que o silêncio é, de todos, o melhor tempo para esquecer amores e rancores. Minha avó conhecia os segredos do tempo como ninguém, e com ela aprendi, também, que as árvores e os bichos são tão importantes quanto os homens - todo o universo uma coisa só.Agora, busco com ela entender a aceitação do tempo da morte. Será que ela continua cuidando de jardins antes do amanhecer? Será que lhe foi permitido ficar horas apreciando a grandiosidade de uma montanha?O pouco que já aprendi com minha avó sobre o tempo da morte me traz algum consolo: toda vez que dela quase morro de saudades, imagino sua luta com deuses e discípulos para abolir de vez a comemoração de aniversários. Não por vaidade ou problemas com a velhice, mas por ser impróprio e desrespeitoso fotografar os anos - ficar lembrando que nascemos é implicar com a morte."
Jacinto Fabio Côrrea
Hoje faz 2 anos... e a vida continua!
Faltou dar o crédito do texto, Roberta. Bj.
ResponderExcluirEu mal cheguei aqui e já me deparo com um texto emocionado desses... me fez lembrar muito da minha vozinha.
ResponderExcluirQue elas fiquem sempre na nossa memória com uma saudade boa e suas lições nos sirvam sempre de exemplo.
Abraços
Vavá